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O selénio e o zinco melhoram a sobrevivência no cancro da próstata

- e noutras formas de cancro

O selénio e o zinco melhoram a sobrevivência no cancro da próstataO cancro da próstata é o cancro mais frequente entre os homens. Em termos de terapêuticas existentes, há espaço para melhorar. Segundo um estudo polaco, publicado na Nutrients, níveis mais elevados de selénio e zinco no sangue podem melhorar a sobrevivência. Os autores do estudo referem que estes dois nutrientes também protegem contra outras formas de cancro.

O cancro da próstata é mais frequente nos países ocidentais. Em 2020, cerca de 1,5 milhões de homens em todo o mundo foram diagnosticados com a doença e mais de 375.000 morreram devido à doença. As terapêuticas existentes para tratamento do cancro da próstata são consideradas bastante boas comparativamente aos tratamentos disponíveis para outros cancros, e a sobrevida a cinco anos é de, aproximadamente, 83 por cento na Europa e 97% nos Estados Unidos. Há, todavia, espaço para melhorar.
Alimentação, estilo de vida e falta de nutrientes essenciais, todos são importantes para o aparecimento e o prognóstico da doença. Está demonstrado que o selénio e o zinco protegem contra o cancro da próstata. No novo estudo, os cientistas analisaram as interacções entre estes dois oligoelementos, que ainda não estão descritas na literatura científica. O estudo também analisa os níveis sanguíneos ideais de selénio e zinco e de que forma estes nutrientes têm influência na sobrevivência de doentes diagnosticados com cancro da próstata.
O estudo abrangeu 338 doentes com cancro da próstata, que foram seleccionados na Polónia entre 2009-2015. Antes do tratamento habitual, os doentes fizeram doseamento sérico do selénio e do zinco por espectrometria de massa (MS).
Posteriormente, os doentes foram divididos em quatro grupos (quartis), dependendo dos respectivos níveis de selénio e zinco no sangue. Depois, os cientistas compararam os níveis sanguíneos de selénio e zinco com a sobrevida dos doentes em 2020. Constataram que os participantes com os níveis mais elevados de selénio e/ou zinco no sangue apresentavam a taxa de sobrevivência mais elevada. Os cientistas constataram igualmente que os doentes com níveis sanguíneos mais baixos de selénio e zinco tinham 21 vezes menos probabilidade de sobrevida a cinco anos, comparativamente aos doentes com os níveis mais elevados destes nutrientes, o que mostra que o selénio e o zinco em associação têm efeito sinérgico na sobrevida a cinco anos no cancro da próstata.

Mecanismos antineoplásicos do selénio e necessidades do organismo

O selénio favorece cerca de 25-30 proteínas seleniodependentes (selenoproteínas) que regulam várias funções fisiológicas, como defesas imunitárias, função tiroideia, entre outras. Além disso, o selénio é um constituinte essencial de vários sistemas antioxidantes importantes (GPX) que protegem as células e o respectivo ADN contra lesão provocada pelos radicais livres e stress oxidativo. O novo estudo refere que, está provado que o selénio melhora a sobrevida em muitas formas de cancro, como cancro da próstata, cancro da mama, cancro do pulmão, cancro do intestino, cancro esofágico e melanoma maligno (cancro da pele).
Segundo o último estudo, o nível sanguíneo médio de selénio em doentes com cancro da próstata era de 78 microgramas/litro, o que é muito baixo. No quartil inferior, os níveis sanguíneos de selénio rondavam a média de 65 microgramas/litro, ao passo que, no quartil superior, rondavam a média de 83 microgramas/litro. Outros estudos indicam que os níveis ideais de selénio no sangue devem ser superiores a este valor, de preferência à volta de 120 microgramas/litro.
A razão pela qual os doentes com cancro da próstata, geralmente, têm baixas concentrações de selénio pode residir no facto de o solo agrícola da Polónia e do resto da Europa ser muito pobre em selénio. Mesmo para as pessoas que fazem uma alimentação saudável e equilibrada pode ser difícil obter este nutriente em quantidade suficiente. A maior sobrevivência dos doentes americanos com cancro da próstata, possivelmente, prende-se com o facto de aos solos agrícolas na América, geralmente, serem mais ricas em selénio, e isto reflecte-se por toda a cadeia alimentar.
De acordo com as Novas Recomendações Nórdicas do Nutriente, mulheres e homens devem aumentar o aporte diário de selénio para, respectivamente, 75 e 90 microgramas. A suplementação diária com levedura de selénio (200 microgramas) pode baixar o risco de cancro da próstata em até 50 por cento, segundo um estudo dinamarquês da Universidade Técnica da Dinamarca e o estudo NPC (Nutritional Prevention of Cancer). O estudo NPC foi coordenado por um cientista americano, o Prof. Larry Clark.

Mecanismos antineoplásicos do zinco e necessidades do organismo

O zinco favorece bem mais de 300 processos enzimáticos e algumas proteínas (dedos de zinco) de que as células precisam para activar o respectivo ADN no momento certo. O zinco também favorece um antioxidante potente (SOD) que confere protecção às células e respectivo ADN contra os radicais livres e lesão provocada pelo stress oxidativo.
É sabido que o zinco melhora a sobrevivência em muitas doenças, incluindo no cancro da próstata, no cancro da mama, do pulmão e do esófago. O novo estudo mostra que o teor médio de zinco no sangue de doentes com cancro da próstata era de 845 microgramas/litro. O quartil inferior rondava a média de 702 microgramas/litro, ao passo que o quartil superior rondava a média de 944 microgramas/litro. O zinco está presente na carne, no peixe, ovos, cereais integrais, nozes, grãos e leguminosas. O zinco de origem animal tem melhor absorção do que o zinco de origem vegetal. O aporte recomendado de zinco é de cerca de 10 mg/dia. A EFSA estabeleceu a dose máxima tolerada de 25 mg.

Referências bibliográficas:

Sandra Pietrzak et al. Correlation between Selenium and Zinc Levels and Survival among Prostate Cancer patients. Nutrients 2024.

Nordic Council of Ministers. Nordic Nutrition Recommendations 2023

DTU Fødevareinstituttet. Evidensgrundlaget for danske råd om kost og fysisk aktivitet. 2013

Clark LC et al: Effects of Selenium Supplementation for Cancer Prevention in Patients with Carcinoma of the Skin. Journal of the American Medical Association: 1996



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