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O selenio-protege contra o colesterol nocivo

- aterosclerose e morte prematura

O selenio-protege contra o colesterol nocivoO colesterol é um composto essencial com diversas funções. Contudo, também pode transformar-se numa substância potencialmente perigosa, se oxidar e se depositar nas paredes dos vasos sanguíneos. É este processo oxidativo que acaba por levar a aterosclerose. O oligoelemento selénio protege contra a aterosclerose, devido às propriedades antioxidantes e a outros mecanismos, segundo um artigo de revisão publicado em Biomedicine. É extremamente importante sobretudo em Portugal, em que a doença cardiovascular é a causa principal de morte e a carência de selénio é tão generalizada.

Durante anos, a carência de selénio tem sido associada a inúmeros problemas cardiovasculares, incluindo aterosclerose, insuficiência cardíaca, doença cardíaca isquémica e trombose coronária. No novo artigo de revisão, os autores analisaram mais de perto doenças cardiovasculares e o papel do selénio na regulação de vários processos patológicos, como stress oxidativo, inflamação crónica, deposição de colesterol oxidado nas paredes vasculares, depósitos de cálcio e células disfuncionais no endotélio dos vasos sanguíneos. Os autores também estudaram a suplementação com selénio e as potencialidades de prevenir doença cardiovascular e aterosclerose, o que implica outros factores do que apenas o colesterol.

  • O colesterol é importante para as membranas celulares, para o sistema imunitário, e para a produção de hormonas esteróides (hormonas sexuais e cortisol), vitamina D e Q10.
  • O colesterol é sintetizado por hidratos de carbono no fígado
  • O colesterol alimentar está presente nos ovos e na gordura anima
  • A maior parte do colesterol do organismo é produzida pelo fígado

O selénio neutraliza o stress oxidativo e a inflamação crónica que degradam o colesterol

O ser humano produz radicais livres como parte da renovação de oxigénio celular e de outros processos metabólicos. A carga de radicais livres aumenta com tabagismo, intoxicação, processos de envelhecimento, excesso de peso, e doenças crónicas, como a diabetes. Os radicais livres são moléculas altamente reactivas que, por natureza, apenas devem funcionar dentro de estreitos limites.
O stress oxidativo sobrevém quando os antioxidantes protectores, como o selénio, são em menor número que os radicais livres. É especialmente nocivo se os radicais livres atacarem o colesterol no sangue. Aqui, o colesterol é transportado pela LDL (lipoproteína de baixa densidade). Se a LDL oxidar, degrada-se e o colesterol deixa de ser funcional. Em seguida, o que acontece é que o colesterol oxidado é consumido pelos monócitos, um tipo de leucócitos, e transformado nas chamadas células espumosas. Estas células espumosas ricas em colesterol deslocam-se para zonas da parede vascular, que já estão inflamadas devido a factores como tensão arterial elevada, lesões, bactérias, LPS (lipopolissacáridos nas paredes das células de determinadas bactérias), proteínas spike (das infecções por SARS-CoV-2 e vacinas COVID-19) e outros irritantes. Quando as células espumosas, saturadas em colesterol, entram na parede vascular, morrem, deixando o colesterol oxidado. Isto aumenta a inflamação local e capta ainda mais células espumosas. É um círculo vicioso.
Por conseguinte, é o stress oxidativo, a inflamação crónica e a acumulação, na parede vascular, de células espumosas que contêm colesterol que provoca aterosclerose, não o colesterol em si. É indiferente se uma pessoa tem níveis de colesterol altos ou baixos. No artigo de revisão, os autores descrevem de que modo os potentes antioxidantes GPX (glutationa peroxidase) combatem os radicais livres e diversos marcadores de inflamação crónica. Também se observou que o selénio impede a formação de células espumosas. A suplementação com selénio, geralmente, tem a capacidade de reduzir os danos oxidativos a moléculas, células, órgãos e tecidos. Daí os autores concluírem que o selénio protege contra a aterosclerose ao neutralizar o stress oxidativo e a inflamação crónica, que também estão relacionados entre si.

Selénio, depósitos de cálcio, e aterosclerose

A aterosclerose é um processo complicado. Nas fases terminais, também envolve uma camada de fibrina e um tipo de rede de cálcio que circunda as células espumosas depositadas na parede vascular. As células musculares lisas da parede vascular têm, aqui, um papel-chave, visto que expressam diversos genes que se assemelham aos que estão envolvidos na formação óssea, e podem fazer com que o cálcio se deposite nos tecidos.
Cada vez mais a ciência refere o stress oxidativo como um factor que faz as células musculares lisas activarem estes depósitos de cálcio, indesejados, nas paredes vasculares. Pensa-se que o selénio neutraliza este processo, devido ao papel que desempenha como antioxidante e às propriedades anti-inflamatórias.

Selénio, células endoteliais, e outras funções

As células endoteliais formam uma camada densa que reveste os vasos sanguíneos. São especialmente importantes para os capilares, onde tem lugar este metabolismo de tecidos e órgãos. Como antioxidante, o selénio protege as células endoteliais contra os radicais livres e apoptose (autodestruição programada das células). Além disso, o selénio protege o microARN que regula e ajusta a expressão de ADN das células. No geral, os estudos indicam que as selenoenzimas e as selenoproteínas têm várias funções essenciais no reforço da função normal das células endoteliais.

  • Pensa-se que cerca de mil milhões de pessoas em todo o mundo têm falta de selénio
  • Carência de selénio, aterosclerose e morte prematura estão frequentemente relacionadas

Estudos sobre suplementação de selénio em humanos

Desde a década de 1960 que se sabe haver relação entre carência de selénio e doença cardiovascular. Os cientistas identificaram, então, uma doença cardíaca grave, na província de Keshan, na China, onde o solo é muito pobre em selénio. A doença de Keshan, assim chamada, afecta o músculo cardíaco e é provocada por um vírus, de resto inofensivo, chamado Coxsackie, que pode ser potencialmente fatal numa pessoa com carência de selénio.
Contudo, a doença foi erradicada, com eficácia, com a ajuda de suplementos de selénio.
A Finlândia, um país cujo solo é reconhecidamente pobre em selénio, costumava ter a incidência mais elevada de trombose coronária em todo o mundo. Contudo, em meados da década de 1980, quando o governo adoptou o enriquecimento obrigatório de fertilizantes com selénio, verificou-se queda acentuada da incidência da doença.
Além disso, o estudo sueco KiSel-10 mostrou que os idosos que fizeram suplementação diária com 200 microgramas de levedura de selénio e 200 mg de Q10 de qualidade farmacêutica, durante cinco anos, tinham melhor função do músculo cardíaco e taxa de mortalidade cardiovascular 54 por cento mais baixa comparativamente aos que tinham recebido placebo correspondente. A associação destes dois suplementos é extremamente importante em Portugal, onde o solo também é pobre em selénio. A síntese endógena de Q10 diminui à medida que envelhecemos, pelo que também aumenta a necessidade deste composto. Além disso, o Q10 e o selénio funcionam sinergicamente e interagem entre si. O seguimento durante 12 anos do estudo KiSel-10 mostrou que a suplementação com Q10 e selénio tem efeito protector a longo prazo no coração, nas células epiteliais, no microARN, telómeros (medida do envelhecimento biológico) e na esperança de vida.
Há ainda outros estudos controlados, aleatórios, em que se demonstrou que o selénio previne aterosclerose, doença cardiovascular e morte prematura em populações com baixa concentração de selénio. O selénio e o zinco também protegem contra intoxicação por metais pesados, como mercúrio e cádmio, um problema associado a doença cardiovascular.
Os suplementos de selénio, geralmente, têm mais efeito em pessoas que vivem em regiões cujo solo tem baixo teor de selénio. É importante para a saúde geral tomar selénio durante um período prolongado, de forma a ter níveis óptimos de selénio no sangue durante toda a vida. Idealmente até tomar selénio em associação com outros antioxidantes como Q10, vitamina D, ou zinco.

  • O solo agrícola da Europa é pobre em selénio. Isto reflecte-se nas colheitas
  • A alimentação normal proporciona menos de 50 microgramas diários de selénio
  • Segundo as últimas Recomendações Nutricionais Nórdicas, os homens precisam de 90 microgramas diários de selénio, ao passo que as mulheres precisam de 75
  • Muitos estudos do selénio foram realizados com 200 microgramas diários
  • Procurar optar por selénio de qualidade farmacêutica com absorção e boa biodisponibilidade comprovadas

Referências bibliográficas:

Siarhei A. Dabravolski et al. The Role of Selenium in Atherosclerosis Development, Progression, Prevention and Treatment. Biomedicines 2023

Juan Pablo Robles. The spike protein of SARS-CoV-2 induces endothelial inflammation through integrin α5β1 and NF-kB signaling. Journal of Biological Chemistry. 2022

Urban Alehagen et al. Improved cardiovascular health by supplementation with selenium and coenzyme Q10: applying structural equation modeling (SEM) to clinical outcomes and biomarkers to explore underlying mechanisms in a prospective randomized double-blind placebo-controlled intervention project in Sweden. European Journal of Nutrition. 2022

Uffe Ravnskov. Hvorfor et højt kolesterol er nyttigt. Hovedland. 2010

Hjerte / Kredsløb Arkiv - (vitalraadet.dk)



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