Q10 e colesterol formam uma dupla essencial

- mas os processos de envelhecimento e os antidislipidémicos inibem a síntese de Q10 pelo organismo

Q10 e colesterol formam uma dupla essencialO colesterol é uma substância essencial, produzida pelo próprio ser humano. O importante é que o colesterol que circula no nosso sangue não oxide, e isto é função do Q10 e outros antioxidantes. Níveis de glicose no sangue estabilizados também ajudam a manter o balanço do colesterol saudável.

O medo de gorduras que atormenta tantas pessoas fê-las deixarem de consumir alimentos saudáveis, como ovos e manteiga, que também são fonte de colesterol. Mas o colesterol é, na verdade, uma substância essencial que se incorpora em todas as membranas celulares como protecção contra agressões dos radicais livres e doenças. O colesterol tem um papel essencial nos sistemas nervoso e imunitário, e é necessário para produzir hormonas sexuais, hormonas do stress e vitamina D. O fígado normalmente produz 4-5 vezes mais colesterol (dos hidratos de carbono) do que a quantidade obtida na alimentação. Se não consumirmos qualquer gordura animal, o fígado tem de produzir todo o colesterol de que o organismo precisa para vários finalidades.
O importante é que o colesterol esteja protegido contra os radicais livres ao circular livremente no sangue. E é aqui que colesterol e Q10 formam uma dupla verdadeiramente ímpar.
Contudo, as diversas formas de colesterol, como LDL (lipoproteína de baixa densidade) e HDL (lipoproteína de alta densidade) devem estar presentes nas devidas proporções. Se a LDL for demasiado elevada, pode ser sinal de stress, inflamação, excesso de peso, gordura abdominal, ou problemas com os níveis de glicose no sangue e com o metabolismo dos hidratos de carbono.

Sabia que o cérebro contém mais colesterol do que qualquer outro órgão?

Isto porque os processos químicos que activam os impulsos nervosos no cérebro necessitam de aporte contínuo de colesterol.                                      

Os antioxidantes protegem o colesterol

Segundo cientistas de destaque, o colesterol não é um problema, a menos que oxide em consequência de exposição aos radicais livres. É esta oxidação que cria condições para a aterosclerose. Os radicais livres são um produto residual do metabolismo do oxigénio celular durante a renovação energética. A carga de radicais livres aumenta fortemente com o tabaco, stress, inflamação, intoxicação, fármacos, radiações e processos de envelhecimento. Os únicos agentes capazes de proteger as células e o sistema cardiovascular contra os radicais livres são os diversos antioxidantes. O Q10 desempenha um papel crucial neste contexto, e a alimentação também contribui com as vitaminas A, C e E, e ainda selénio, zinco e diversos compostos vegetais.

Q10 participa na renovação energética e protege o colesterol

Q10 é uma coenzima essencial que participa na renovação energética em praticamente todas as células. A alimentação fornece apenas pequeníssimas quantidades de Q10. A nossa produção endógena de Q10 é, portanto, a fonte principal desta substância essencial. A produção de Q10 pelo organismo atinge o seu máximo aos 20-25 anos, e começa a decrescer a partir desta idade. Muitas pessoas sentem este decréscimo acelerado por volta dos 50 anos, que se traduz, basicamente, em diminuição da vitalidade e da força muscular. Stress, determinadas doenças e a toma de antidislipidémicos (medicamentos para reduzir o colesterol) também diminuem os níveis de Q10 (de que falaremos mais adiante).
São muitas as pessoas que optam por tomar um suplemento de Q10 para obterem mais energia, mas esta pequena co-enzima funciona igualmente como um antioxidante excepcional que protege o colesterol e as nossas células.

Q10 nas suas duas formas

O Q10 apresenta-se como ubiquinona, que é importante para o metabolismo energético, e como ubiquinol, que é a forma antioxidante. Com a ajuda de processos enzimáticos que necessitam da presença de selénio, a ubiquinona é transformada ubiquinol – e vice-versa – num ciclo contínuo, consoante a necessidade específica do organismo de uma ou da outra forma da substância. A maior parte das pessoas consegue controlar facilmente esta transformação alternada do Q10, e a maioria dos estudos científicos são realizados com Q10 na forma de ubiquinona, por ser mais estável.

As duas formas de Q10

A ubiquinona (necessária, principalmente, para renovação energética) é amarelada.

O ubiquinol (necessário, principalmente, como antioxidante) é esbranquiçado.

O organismo consegue transformar ora numa, ora noutra forma – consoante as suas necessidades.                                                     

Absorção do Q10 e circulação com o colesterol

Q10 é uma substância lipossolúvel que é absorvida no intestino delgado, quer através da alimentação quer através de suplementos. Do intestino delgado, o Q10 é transportado para o sistema linfático intestinal e daí para a corrente sanguínea, onde os níveis atingem o seu máximo após 6-8 horas. Depois de ser absorvido no intestino delgado, a maior parte da ubiquinona é transformada em ubiquinol. Durante o transporte no sistema linfático e na corrente sanguínea, o Q10 liga-se ao colesterol LDL, com o qual está bioquimicamente relacionado. O ubiquinol actua como um antioxidante único no sangue e na linfa, onde protege o colesterol e o sistema cardiovascular contra o stress oxidativo causado pelos radicais livres. Durante o metabolismo energético, o ubiquinol é transformado em ubiquinona nas centrais energéticas celulares (mitocôndrias).

Colesterol, Q10 e aterosclerose

No sangue, o Q10 liga-se ao colesterol LDL antes de ser absorvido nas células. Isto significa que o Q10 contribui para a protecção do colesterol contra o stress oxidativo e a aterosclerose, que podem surgir independentemente de a pessoa ter o colesterol alto ou baixo.

Os antidislipidémicos inibem a síntese de Q10 pelo organismo

Milhões de pessoas em todo o mundo tomam antidislipidémicos (também conhecidos por estatinas), que são dos medicamentos mais usados. Contudo, há cada vez mais consciência dos efeitos secundários causados por esta categoria farmacoterapêutica. O colesterol e o Q10 são substâncias bioquimicamente relacionadas, sintetizadas por uma enzima denominada HMG-CoA reductase. Como os antidislipidémicos actuam através do bloqueio desta enzima, a síntese de Q10 pelo organismo também é afectada. Esta é a explicação bioquímica para estatinas normalmente provocarem dores musculares, fadiga, dificuldade de respirar, impotência e declínio físico e mental. As células simplesmente têm falta de energia.
Um estudo dinamarquês, publicado no Journal of the American College of Cardiology (JACC), mostra que 40% dos doentes que tomam estatinas têm dores musculares. Entre os atletas activos, 75% têm este problema, o que significa que as dores musculares aumentam com a actividade física.

Tanto o colesterol como o Q10 são sintetizados pela enzima HMG-CoA reductase.

Tanto o colesterol como o Q10 são sintetizados pela enzima HMG-CoA reductase. Daí que os medicamentos para reduzir o colesterol (estatinas) também inibam a síntese de Q10 pelo organismo. Isto pode ser compensado com a associação de um suplemento de Q10 às estatinas.

As estatinas podem provocar problemas cardiovasculares – o que é um paradoxo

Como as estatinas inibem a síntese de Q10 pelo organismo, elas afectam negativamente mais do que apenas a renovação energética. Como já se referiu, o Q10 também é um antioxidante potente, pelo que é essencial para a protecção das células e do sistema cardiovascular.
Segundo o cardiologista americano Peter Langsjoen, a falta de Q10 induzida por estatinas pode ser responsável pelo enorme aumento da taxa de insuficiência cardíaca observada nos Estados Unidos. Em primeiro lugar, o coração precisa de grandes quantidades de energia para contrair dia e noite. Em segundo lugar, enquanto antioxidante, o Q10 protege o coração contra os radicais livres.

Na publicação científica Diabetes Care, investigadores do Phoenix VA Healthcare System concluíram que as estatinas aumentam o risco de diabetes em pessoas saudáveis e agravam os problemas cardiovasculares em diabéticos, devido à falta de Q10

Vida e potência sexual

As estatinas podem até destruir a vida sexual e conduzir à impotência. Segundo um grande estudo americano, os homens que tomavam estatinas sentiram que a sua capacidade de ter um orgasmo tinha diminuído em 50%, o que, segundo os investigadores, se devia ao facto de as relações sexuais e o orgasmo exigirem muita energia. Como as estatinas bloqueiam a síntese de Q10 pelo organismo, isto afecta os homens.

A molécula de Q10 como par redox único

O fenómeno de o Q10 funcionar em duas formas é conhecido por par redox, e é único do ponto de vista bioquímico. A molécula de Q10 alterna entre duas funções essenciais independentes, sendo que nenhuma delas pode ser substituída por mais nada.

Os suplementos de Q10 podem reduzir os efeitos secundários das estatinas

Os efeitos secundários provocados pelas estatinas podem ser reduzidos com a associação de antidislipidémicos e suplementos de Q10, compensando-se assim a falta de Q10. Foi esta a conclusão de um estudo de 2007, em que investigadores americanos administraram 100 mg de Q10 ou placebo a um grupo de pessoas que tomavam estatinas, que tinham dores musculares por causa do medicamento. O grupo que tomou Q10 e estatinas apresentou menos 40% de dores musculares do que o grupo placebo. Além disso, os doentes do grupo de Q10 sentiram menos limitações pelos efeitos secundários.

Os suplementos de Q10 devem ter a qualidade adequada

Como já foi referido, o Q10 é uma substância lipossolúvel. Independentemente da tecnologia usada pelo fabricante, as moléculas de Q10 são sempre lipossolúveis. Nos diversos tipos de matérias-primas e suplementos de Q10, as moléculas de Q10 têm tendência para formarem agregados de cristais que não se dissolvem à temperatura corporal normal. Para que estes cristais se dissolvam completamente, de modo que as moléculas de Q10 consigam atravessar a membrana intestinal e serem absorvidas, é necessário utilizar uma técnica especial de aquecimento. A qualidade de um suplemento de Q10 é determinante para a absorção e metabolismo do Q10, que estão intimamente ligados. Deve optar sempre por um produto de qualidade e biodisponibilidade comprovadas, para ter a certeza de que o Q10 entra no sangue e chega às células.

É importante tratar o colesterol elevado a longo prazo

Como já se mencionou, colesterol elevado e desequilíbrio entre os dois tipos de colesterol (LDL e HDL) podem ser causados por stress, gordura abdominal, ou problemas de glicose no sangue causados pelo consumo excessivo de hidratos de carbono refinados.

Sobrecarregar o organismo com hidratos de carbono pode levar a insulinorresistência, em que a captação celular da glicose está alterada. A insulinorresistência é um elemento crucial da síndrome metabólica (fase inicial da diabetes tipo 2), que também se caracteriza por colesterol elevado e hipertensão. Por outras palavras, porque o colesterol elevado pode ser consequência de consumo de hidratos de carbono em excesso, não há motivo para ter receio da gordura enquanto tal – desde que se ingira gordura saudável.

Uma mensagem nova e positiva

As autoridades de saúde americanas, finalmente, reconheceram que os alimentos com alto teor de colesterol natural não representam um problema. A ingestão de manteiga, ovos, camarão e outras fontes de colesterol não deve ser motivo de preocupação, quando faça parte de uma alimentação saudável e equilibrada.

Bibliografia:

Tor Ole Kjellevand. Kolesterol, venn eller fiende? Helsemagasinet Vitenskap og Fornuft. 2015

Pernille Lund: Q10 - fra helsekost til epokegørende medicin. Ny Videnskab 2014

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