Relação entre aporte de selénio durante a gravidez, desenvolvimento fetal e peso à nascença

Relação entre aporte de selénio durante a gravidez, desenvolvimento fetal e peso à nascençaO selénio é um oligoelemento essencial que favorece uma porção de proteínas e antioxidantes que são importantes na gravidez. Segundo um novo estudo populacional norueguês, publicado na revista científica Nutrients, a falta de selénio durante a gravidez pode restringir o crescimento do feto e levar a baixo peso à nascença. Isto pode ter consequências no crescimento, nas capacidades cognitivas e na saúde da criança. A insuficiência de selénio é bastante comum na Noruega e no resto da Europa, e isso é problemático.

Se o feto se desenvolver a um ritmo mais lento do que o normal, há maior risco de complicações graves. Se a restrição de crescimento ocorrer durante o início da gravidez, o risco é maior. A restrição de crescimento fetal aumenta o risco de morte intra-uterino, e há também maior risco de o recém-nascido ter falta de oxigénio (asfixia perinatal) com complicações subsequentes. Mais tarde, isto pode levar a baixa estatura, atraso no desenvolvimento cognitivo, diabetes e doença cardiovascular.
É sabido que o tabagismo, abuso de substâncias tóxicas, hipertensão, pré-eclampsia e perturbações da tiróide aumentam o risco de restrição de crescimento fetal. Contudo, a alimentação também tem influência, porque o feto precisa de vários nutrientes durante o período de desenvolvimento e crescimento. Por exemplo, o oligoelemento selénio favorece cerca de 25-30 proteínas seleniodependentes que regulam funções como renovação energética, síntese de ADN e metabolismo. Os estudos sugerem inclusivamente que estas proteínas que contêm selénio têm uma função específica no desenvolvimento tecidual durante a gravidez, incluindo o desenvolvimento do cérebro. Além disso, os antioxidantes GPX que contêm selénio (glutationa peroxidases) ajudam a proteger a placenta e o feto contra o stress oxidativo causado pelos radicais livres.
Estudos anteriores mostram que a falta de selénio aumenta o risco de parto pré-termo, o que em si está associado a baixo peso à nascença. Com o estudo populacional norueguês pretendeu-se fazer uma análise mais profunda sobre se o aporte de selénio durante a gravidez e os níveis de selénio no sangue estavam relacionados com o desenvolvimento fetal e o peso à nascença.

A insuficiência de selénio é frequente entre as grávidas

O estudo coorte norueguês (Mor, Far og Barn) estudou grávidas de toda a Noruega durante o período de 1999 a 2008. As grávidas foram convidadas a participar no estudo a propósito da ecografia das 18 semanas de gravidez. Às que aceitaram, foi pedido que respondessem a questionários várias vezes, durante a gravidez e no período de desenvolvimento do bebé.
Utilizando os dados deste estudo (MoBa) e dados do Registo de Nascimentos da Noruega (MBRN), os investigadores analisaram a relação entre o aporte de selénio da alimentação e de suplementos em 71.728 grávidas, durante a primeira metade da gravidez, a concentração de selénio no sangue a meio da gravidez, o tamanho do feto e o peso à nascença.
Verificou-se que, em cerca de metade das grávidas, o aporte diário de selénio era inferior ao aporte de referência norueguês de 60 microgramas por dia. E cerca de metade das participantes tinham níveis sanguíneos inferiores ao limiar de 100 microgramas por litro de sangue.

O papel do selénio no desenvolvimento fetal

Segundo o estudo, a alimentação rica em selénio durante a gravidez teve um efeito muito mais positivo no crescimento fetal e no peso à nascença do que qualquer outro factor. Contudo, a suplementação de selénio e os níveis sanguíneos do nutriente não tiveram qualquer impacto. Convém referir que a maior parte das grávidas fez suplementação com selénio inorgânico, que o organismo tem dificuldade em metabolizar.
Os investigadores apontam várias falhas e limitações ao estudo e afirmam que são necessários mais estudos para demonstrar como a baixa concentração de selénio materna pode afectar o crescimento fetal. Todavia, investigação anterior mostra que a suplementação com levedura de selénio, que contenha variedades de selénio orgânico e altamente biodisponível, tem outros efeitos positivos durante a gravidez.

Os suplementos com levedura de selénio contribuem para uma gravidez saudável em vários sentidos

As grávidas que tomam 100 microgramas diários de levedura de selénio, desde o primeiro trimestre até ao parto, conseguem baixar o risco de ruptura da membrana fetal em cerca de 30 por cento, segundo um estudo controlado com placebo, publicado no Journal of Obstetrics and Gynaecology.
Além disso, tudo indica que as grávidas que tomaram levedura de selénio apresentavam taxa inferior de pré-eclampsia, o que, normalmente, é a causa principal de parto pré-termo. A pré-eclampsia também pode levar a situações potencialmente fatais, como a eclampsia.
Uma equipa de cientistas internacionais, com a participação da Dinamarca, realizou um grande estudo que mostra uma possível ligação entre insuficiência de selénio e parto pré-termo.

Curiosamente, desde os anos 1970 que os suinicultores e criadores de gado dinamarqueses dão suplementação com selénio aos animais como forma de prevenir diversos sintomas de insuficiência – incluindo baixa fertilidade.

 Fontes de selénio, insuficiência generalizada, e suplementos biodisponíveis

O selénio está presente sobretudo no peixe, marisco, vísceras, ovos, lacticínios, castanha-do-pará e legumes verdes. O solo agrícola da maior parte da Europa, Dinamarca incluída, geralmente, é muito pobre em selénio, o que manifestamente se reflecte nas colheitas e em toda a cadeia alimentar. É por isso que, há décadas, os agricultores dão selénio suplementar ao gado. Embora o peixe e o marisco, geralmente, sejam considerados boas fontes de selénio, mesmo uma alimentação com grande quantidade destes alimentos não fornece selénio suficiente para suprir as necessidades reais. Além disso, as mulheres que estejam a tentar engravidar, que estejam grávidas ou a amamentar devem ter cuidado com a ingestão de peixes predadores, como o atum ou o salmão do Mar Báltico, pois muitas vezes têm um teor relativamente elevado de mercúrio e outras toxinas ambientais.
Cerca de 20 por cento dos dinamarqueses obtém menos selénio do que a ingestão diária recomendada (IDR), que actualmente é de 55 microgramas.
Segundo muitos especialistas, precisamos de 100 microgramas por dia. É esta a quantidade necessária para saturação adequada da selenoproteína P, uma selenoproteína usada como um marcador da concentração de selénio no organismo.
Em geral, é aconselhável suplementação com levedura de selénio que contenha diversas variedades de selénio orgânico porque é o que mais se aproxima de uma alimentação equilibrada que integre várias fontes de selénio. Existem suplementos combinados, com levedura de selénio, feitos especialmente para grávidas.

Crescimento fetal e vários tipos de restrição de crescimento

  • AIG (Adequado à Idade Gestacional): o feto tem peso normal em relação à idade gestacional (idade real do feto)
  • PIG (Pequeno para a Idade Gestacional): o feto é pequeno, o que muitas vezes se deve a factores genéticos
  • ACIU (Atraso no Crescimento Intra-uterino): o feto não atingiu o potencial de crescimento geneticamente determinado
  • Se houver suspeita de restrição de crescimento, a futura mãe deve consultar o hospital onde espera dar à luz

Referências bibliográficas:

Pol Solé-Navais et al. Maternal Dietary Selenium Intake during Pregnancy Is Associated with Higher Birth Weight and Lower Risk of Small for Gestational Age Births in the Norwegian Mother, Father and Child Cohort study. Nutrients. December 2020

Aparna Shreenath. Selenium Deficiency. StatPearls. May 6, 2019

Hilten T Mistry et al. Selenium in reproductive health. Journal of Obstetrics and Gynaecology. 2011

Fatemeh Tara et al. Selenium supplementation and premature (pre-labor) rupture of membranes: a randomized double-blind placebo-controlled trial. Journal of Obstetrics and Gynaecology. 2010

Jones GD et al. Selenium deficiency risk predicted to increase under future climate change. Proceedings of the National Academy of Sciences 2017
Editorial team. Selenium deficiency promoted by climate change. ETHzüric 2017

Danmarks Jordbrugsforskning. Selen anvendelse i dansk landbrug. 2006

Fostervækst og vægtafvigelse - Lægehåndbogen på sundhed.dk

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