A falta de selénio faz com que um vírus sofra mutação

- e se torne cada vez mais perigoso

A falta de selénio faz com que um vírus sofra mutaçãoPensa-se que cerca de mil milhões de pessoas em todo o mundo tenham falta de selénio, sobretudo devido aos terrenos de cultivo pobres no nutriente. A insuficiência de selénio torna-nos mais vulneráveis a infecções e aumenta o risco de um vírus sofrer mutação e tornar-se mais perigoso. Isto mesmo foi demonstrado em estudos anteriores de vírus ARN, que podem provocar gripe, hepatite, VIH ou doença de Keshan. O coronavírus, que provoca a vulgar constipação e infecções COVID-19, também pertence ao grupo dos vírus ARN e tem uma capacidade invulgar de sofrer mutação. Foram identificados nos visons três novos tipos de vírus que sofreram mutação e que podem ser um obstáculo a uma futura vacina. Daí sermos forçados a reforçar as defesas, que se destinam a combater os vírus, de diversos ângulos. Por outro lado, mesmo com uma alimentação saudável, pode ser difícil obter selénio em quantidade suficiente, razão pela qual cada vez mais cientistas recomendam suplementos de selénio para ajudar a combater o coronavírus.

As partículas virais são microscópicas. Mesmo que se alinhassem milhões delas, caberiam todas num único ponto. O vírus não tem metabolismo. Para se replicar, tem de parasitar outras células. Contudo, os diversos tipos de vírus só conseguem ligar-se às células com os receptores correspondentes – como uma chave que serve numa fechadura. Depois de se ligar a uma célula hospedeira adequada, o vírus injecta o seu material genético – ARN ou ADN – transformando, assim, o hospedeiro numa potencial fábrica viral. Por esta via, são produzidas inúmeras partículas virais novas, capazes de prosseguir o processo em novas células hospedeiras, a que se ligam.
Os diversos tipos de vírus ARN que estão na origem da gripe, do herpes e do VIH podem facilmente sofrer mutação e iludir o sistema imunitário, obrigando-o a reiniciar o seu “software de reconhecimento facial” e recomeçar tudo outra vez. Pode-se comparar esta mutação à substituição da fechadura de uma porta por outra nova, o que quer dizer que a chave antiga deixa de poder ser usada para abrir a porta.
O coronavírus que está presente nas aves e nos mamíferos também sofre mutação facilmente. Na verdade, o coronavírus pertence a um vastíssimo grupo de vírus, dos quais alguns são inofensivos e outros podem estar na origem da gripe, da SARS (2002), da MERS (2012) e da COVID-19. Agora foi detectada uma nova estirpe do vírus em visons e, provavelmente, não será o último novo tipo de coronavírus que veremos.
O vírus não responde aos antibióticos, e é muito difícil produzir vacinas eficazes contra todos os vírus ARN, porque estes sofrem mutações muito facilmente. Por esta razão, devemos concentra-nos no reforço do sistema imunitário, um sistema de defesa altamente complexo, naturalmente concebido para combater os microrganismos, de diversos ângulos.

Vírus potencialmente fatais e insuficiência de selénio

Na província de Keshan, no nordeste da China, onde o solo é extremamente pobre em selénio, os investigadores identificaram uma doença cardíaca fatal, que designaram por doença de Keshan. Esta doença é provocada por um vírus ARN, normalmente inofensivo, o Coxsackie B, que o sistema imunitário não consegue combater se os níveis de selénio no organismo forem muito baixos. O vírus Coxsackie também pode causar reumatismo e cancro, mas já nos anos de 1960, cientistas chineses encontraram forma de prevenir e erradicar a terrível doença, recorrendo a suplementos de selénio. Anos mais tarde, inspirando-se na doença de Keshan, a cientista americana Melinda A. Beck realizou um ensaio pioneiro. Inoculou dois grupos de ratinhos com o vírus Coxsackie B. Num grupo, os ratinhos tinham défice de selénio, ao passo que os do outro grupo tinham selénio suficiente. Os ratinhos com selénio suficiente no sangue não foram afectados pelo vírus, ao passo que os ratinhos com défice de selénio adquiram miocardite e morreram.
Outro estudo mostrou que os ratinhos com défice de selénio, que tinham sido infectados com o vírus Influenza A, apresentavam sinais de aumento de mutações do vírus ARN. Além disso, não conseguiram combater a gripe com a mesma eficácia que os ratinhos com selénio suficiente. Os ratinhos com défice de selénio e infectados com o vírus Influenza desenvolveram complicações pulmonares graves devidas à infecção, ao passo que os ratinhos com selénio suficiente apenas desenvolveram sintomas ligeiros.
Segundo os estudos de Melinda Beck, o vírus não sofre mutação para uma forma mais virulenta, se a alimentação integrar selénio e vitamina E em quantidade suficiente. Acontece que estes dois nutrientes interagem entre si, pelo que a situação torna-se ainda mais crítica quando não há selénio suficiente.
Vários estudos mostram que quanto maior for a insuficiência de selénio, maior é o risco de vários tipos de vírus ARN sofrerem mutação e tornarem-se mais perigosos.
Na verdade, isto explica porque é que muitas estirpes novas de vírus ARN, incluindo o vírus Influenza e o Coronavírus, provêm de regiões da China pobres em selénio.
Não é dada a devida atenção ao selénio no que respeita a saúde imunitária, e é sabido que os problemas generalizados de insuficiência de selénio aumentam o risco de morte por COVID-19 e VIH.

De que modo o selénio impede a mutação dos vírus ARN?

Como já foi referido, os vírus ARN conseguem sofrer mutação se invadirem outras espécies, como o vison, onde o vírus é obrigado a adaptar-se. Contudo, na doença de Keshan, nas infecções por Influenza, e noutros tipos de vírus ARN, também podem ocorrer mutações durante uma infecção. Estas mutações são provocadas por radicais livres e stress oxidativo, que é um desequilíbrio entre radicais livres e antioxidantes no organismo.
Efectivamente, os radicais livres são produzidos pelos glóbulos brancos e são usados pelo sistema imunitário como “mísseis”. Mas é muito importante que os radicais livres sejam controlados para impedi-los de provocar stress oxidativo, que pode causar lesão das células e tecidos saudáveis e fazer com que o vírus sobrevivente sofra mutação e constitua uma ameaça ainda maior para o organismo.
O selénio favorece os antioxidantes potentes GPX (glutationa peroxidase) eTXNRD (tioredoxina redutases) que protegem contra reacções imunitárias indesejáveis e involuntárias que implicam radicais livres.

O selénio e a sua função nas defesas

  • Reforça a imunidade inata e a imunidade adquirida (adaptativa)
  • Constitui um antioxidante potente que neutraliza o stress oxidativo
  • Impede a mutação dos vírus ARN
  • Neutraliza a inflamação, que pode causar lesão dos tecidos saudáveis
  • As infecções aumentam a necessidade de selénio

Porque é que a insuficiência de selénio é tão generalizada?

O selénio obtém-se nas vísceras, nos ovos, lacticínios, castanha-do-pará, cereais, peixe e marisco. Mesmo com inúmeras fontes alimentares, estima-se que mil milhões de pessoas em todo mundo tenham falta de selénio, principalmente, devido aos terrenos de cultivo pobres no nutriente. O solo agrícola da Europa, de vastas regiões da China, Índia, América do Sul, África austral, e das regiões do sudoeste dos Estados Unidos é pobre em selénio. Investigadores do Swiss Federal Institute of Aquatic Science and Technology realizaram várias análises do clima e solos, para prever a redução expectável do teor de selénio no solo no futuro, influenciada por diversas variáveis. Isto irá certamente afectar toda a cadeia alimentar.

Que quantidade de selénio precisamos?

O selénio sustenta cerca de 30 selenoproteínas que intervêm na renovação energética, nas defesas, no metabolismo, nos mecanismos de defesa antioxidante e em muitas outras funções biológicas.
A saturação de selénio de uma destas selenoproteínas, a selenoproteína P, é usada como marcador para determinar a concentração de selénio no sangue. Mas os estudos mostram que a dose diária de selénio recomendada actualmente (50-70 microgramas/dia) não é suficiente para saturar devidamente esta selenoproteína. Segundo estudos publicados, para tanto são precisos, pelo menos, 100 microgramas de selénio por dia.
As infecções provocam uma descida acentuada dos níveis de selénio no sangue, visto que o sistema imunitário utiliza grandes quantidades do nutriente para manter várias actividades imunitárias e as defesas antioxidantes do organismo. E isto aumenta a necessidade de mais selénio.
Em estudos de doentes com doenças infecciosas, os cientistas, normalmente, administram suplementação diária de selénio na ordem dos 100-200 microgramas. O ideal é tomar levedura de selénio que contenha diversas variedades de selénio, porque se assemelha à variedade natural que se obtém numa alimentação equilibrada, com diversas fontes de selénio. A EFSA (Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar) fixou a dose máxima de segurança de selénio em 300 microgramas por dia.

IMPORTANTE: Não esquecer também a vitamina D, vitamina C e o zinco para combater as infecções virais

Não é por acaso que as infecções virais, normalmente, sobrevêm durante o Inverno, quando as pessoas têm falta de vitamina D. Para além de tomar um suplemento de vitamina D, é importante obter mais vitamina C, zinco e ómega-3, que também reforçam o sistema imunitário e neutralizam o stress oxidativo. Segundo o livro branco publicado recentemente por um grupo suíço de médicos e professores de diversas universidades, é necessário tomar medidas urgentes em termos de hábitos alimentares saudáveis e suplementos alimentares de referência que possam ajudar o organismo a combater a COVID-19

Referências bibliográficas :

Nikki Hancocks. Diet and supplements: Swiss panel publishes COVID-19 recommendations. 2020
www.nutraingredients-usa.com

Olivia M Guillin et al. Selenium Selenoproteins and Viral Infection. Nutrients 2019

Beck M A et al. Benign human enterovirus becomes virulent in selenium-deficient mice. J med. Virol 1994

Arash Moghaddam et al. Selenium Deficiency is Associated with Mortality Risk from COVID-19. Nutrients 16 July 2020

Jones GD et al. Selenium deficiency risk predicted to increase under future climate change. Proceedings of the National Academy of Sciences 2017

Holger Steinbrenner et al. Dietary Selennium in Adjuvant Therapy of Viral and Bacterial Infections. American Society for Nutrition. 2015

Hoffmann Peter R et et al. The influence of selenium on immune responses. Mol Nutr Food Res.2008

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