Como o Q10 previne e alivia as enxaquecas

Como o Q10 previne e alivia as enxaquecasA suplementação com coenzima Q10 em doses elevadas pode reduzir a frequência, a gravidade e a duração das crises de enxaquecas, uma vez que o Q10 reduz os níveis de um péptido no cérebro, que provoca dor e inflamação. Isto foi demonstrado num estudo pioneiro, publicado na Nutritional Neuroscience. As empresas farmacêuticas estão a trabalhar incessantemente para desenvolver um fármaco patenteável, capaz de bloquear este péptido, se bem que as pessoas que sofrem de enxaquecas também possam utilizar Q10, que já se pode adquirir sem receita médica. Deve-se optar sempre por um produto de biodisponibilidade comprovada, para que as moléculas de Q10 cheguem às mitocôndrias energéticas das células. As disfunções mitocondriais são a razão por que as pessoas que sofrem de enxaquecas têm necessidade acrescida de coenzima Q10.

As crises recorrentes de enxaquecas podem prejudicar a qualidade de vida e estão entre as doenças responsáveis pelo maior número de baixas por doença. Os medicamentos para as enxaquecas não são eficazes em todos os doentes e, em muitos casos, têm efeitos secundários. Daí ser preferível tratar a causa subjacente, que muitas vezes é a falta de coenzima Q10 associada a disfunções mitocondriais.

  • Pensa-se que as enxaquecas são causadas por dilatação dos vasos sanguíneos sensíveis na periferia do cérebro
  • A alteração da actividade eléctrica nos neurónios do cérebro é o que desencadeia e cessa as crises

O Q10 não só fornece energia como é um antioxidante importante

O Q10 é uma coenzima essencial que participa na produção de energia no interior das células. Simultaneamente, o Q10 é um antioxidante muito importante que protege as células, as mitocôndrias e o sistema cardiovascular contra o stress oxidativo provocado pelos radicais livres.
O ser humano produz a maior parte do Q10 de que o organismo precisa, mas a síntese de Q10 diminui com a idade. E isto pode afectar a saúde e a vitalidade. Determinadas doenças, como as enxaquecas, e ainda a utilização de antidislipidémicos (estatinas) podem reduzir os níveis de Q10.
O cérebro consome grande quantidade de energia, razão pela qual tem grande necessidade de Q10 para proteger os neurónios e respectivas mitocôndrias contra o stress oxidativo. Verifica-se stress oxidativo quando existe desequilíbrio entre radicais livres e antioxidantes. É de salientar que o Q10 é um dos antioxidantes mais potentes na protecção das mitocôndrias.

As muitas funções das mitocôndrias

As mitocôndrias queimam calorias e transformam-nas em energia, com a ajuda do Q10 e do oxigénio que respiramos. Neste processo, os electrões são transmitidos, através de uma cadeia enzimática, na chamada cadeia de transporte de electrões. A função do Q10 é receber e enviar os electrões para que a energia acabe por ser quimicamente armazenada na molécula chamada ATP (adenosina trifosfato).
Contudo, as mitocôndrias têm muitas outras funções essenciais, como regulação do metabolismo celular, sinalização do cálcio, regulação do potencial de membrana (a diferença de potencial eléctrico na membrana celular) e apoptose (também conhecida como morte celular programada). Como as mitocôndrias têm tantas funções vitais no metabolismo celular, a lesão mitocondrial e funcionamento deficiente concomitante podem levar a várias doenças, entre elas as enxaquecas.

As pessoas que sofrem de enxaquecas, independentemente da idade, têm frequentemente falta de Q10 e a toma de um suplemento pode ser benéfica

Os estudos mostram que cerca de 30% das pessoas que sofrem de enxaquecas têm baixos níveis séricos de Q10. Também parece haver ligação entre enxaquecas e inflamação. O Q10 tem propriedades anti-inflamatórias, razão pela qual um grupo de investigadores decidiu estudar se os suplementos de Q10 tinham potencial de aliviar ou curar as enxaquecas.
Vários estudos já demonstraram que a suplementação com Q10 tem efeito positivo. Um estudo aberto, em que foram administrados aos participantes 150 mg diários de Q10, mostrou melhoria em 61% dos doentes tratados. E o número de dias em que sofreram de enxaquecas diminuiu em 50%.
Noutro estudo, duplamente cego e controlado com placebo, os participantes foram tratados com Q10 em doses elevadas (3x100 mg/dia). Também aqui os cientistas observaram menos crises e menos dias com enxaquecas.
Até as crianças que sofrem de enxaquecas têm falta de Q10, segundo um estudo publicado na revista cientifica Headache. Este estudo mostrou ainda que três meses de suplementação com Q10 aumentou os níveis séricos de Q10 e reduziu significativamente o número de crises de enxaquecas e a sua duração.

A Canadian Headache Society começou a recomendar suplementos de Q10 para prevenção e alívio das enxaquecas em 2015

O Q10 baixa os níveis séricos de dois compostos que estão ligados às enxaquecas e dor

Um estudo realizado em mulheres que sofrem de enxaquecas demonstrou que o Q10 pode diminuir a dor. Um grupo recebeu 400 mg diários de Q10, ao passo que o outro grupo recebeu placebo correspondente. Após três meses, as mulheres do grupo de Q10 tinham bastante menos crises de enxaquecas, comparativamente às mulheres do grupo placebo, o que indica que o Q10 pode prevenir as enxaquecas. As poucas mulheres do grupo de Q10 que tiveram crises de enxaquecas, apesar de tomarem Q10, recuperaram mais depressa e com menos sintomas do que as mulheres do grupo placebo. Como se vê, o estudo corrobora estudos anteriores. Contudo, o que é novo é que os cientistas observaram que o Q10 tem efeito analgésico, devido ao facto de baixar os níveis séricos de dois compostos que estão ligados às enxaquecas. Um deles é um péptido do cérebro, designado CGRP (péptido relacionado com o gene da calcitonina), que está implicado na transmissão dos impulsos da dor e é produzido pelos neurónios. O outro é uma citocina, designada TNF-alfa, um marcador da inflamação bem conhecido. Por outras palavras, o Q10 alivia as enxaquecas ao reduzir os níveis de CGRP e inflamação. O estudo está publicado na Nutritional Neuroscience.
Um estudo anterior demonstrou que as pessoas que sofrem de crises de enxaquecas esporádicas têm níveis séricos elevados de CGRP, e as pessoas com enxaquecas crónicas têm níveis de CGRP ainda mais elevados.

De que modo o CGRP afecta o cérebro?

A dor, por si só, é o que mais leva as pessoas a tomarem medicamentos, embora muito haja sobre a sua origem que a ciência desconhece. Há, contudo, dois factores que parecem estar implicados nas enxaquecas:

  • Hiperestimulação do cérebro provocada por estímulos normalmente inofensivos
  • Resposta inflamatória em diversas regiões do cérebro

O CGRP é libertado quando os neurónios cerebrais são estimulados. O CGRP provoca dilatação dos vasos sanguíneos, inclusive dos vasos sanguíneos da membrana externa que reveste o cérebro e que é extremamente sensível à dor. Quando o CGRP se liga a receptores específicos nos vasos sanguíneos, desencadeiam-se reacções de dor em cascata, e é isto que provoca as enxaquecas.
O CGRP é de tal modo potente que, se for injectado, pode desencadear uma crise de enxaquecas.

Alívio natural das enxaquecas com Q10

Outros estudos clínicos mostraram que, ao bloquear, prevenir ou diminuir a produção de CGRP, é possível aliviar a enxaqueca em menos de duas horas, impedir a dor durante 24 horas e prevenir a sensibilidade à luz e ao ruído que acompanha as enxaquecas. Actualmente, a indústria farmacêutica está a trabalhar incessantemente para descobrir novos fármacos patenteáveis, capazes de bloquear a produção de CGRP no organismo. Contudo, os suplementos de Q10 em doses elevadas já provaram ter este efeito – sem efeitos secundários e com grandes vantagens para a saúde.
Como já foi referido, as enxaquecas são, frequentemente, causadas por inflamação e disfunção mitocondrial, o que aumenta a necessidade de Q10. É por isso que a suplementação com Q10 deve fazer parte do tratamento desta doença dolorosa, pois é preferível tratar a causa subjacente do que combater os sintomas depois de se manifestarem.

Deve-se optar por Q10 de qualidade farmacêutica

A qualidade de qualquer formulação de Q10 define a sua eficácia. E isto porque o ser humano tem dificuldade em absorver o Q10 no aparelho digestivo, a menos que a formulação esteja concebida de modo a permitir que cada molécula de Q10 atravesse a parede intestinal e entre na corrente sanguínea, o que requer a utilização de óleos e técnica de aquecimento especiais.
Deve-se optar sempre por Q10 de qualidade farmacêutica, em que existe uma grande exigência em termos de qualidade e teor do produto. Só assim se garante que o organismo consegue absorver o ingrediente activo, de modo a chegar ao interior das mitocôndrias.

  • Em diversos estudos de doentes com enxaquecas, os cientistas utilizaram doses de 150-400 mg por dia
  • O organismo tem dificuldade em absorver o Q10, pelo que é recomendável optar por Q10 de qualidade farmacêutica, para que o ingrediente activo seja absorvido no sangue e chegue às mitocôndrias
  • O organismo só consegue absorver cerca de 100 mg de Q10 de cada vez. Por conseguinte, se se pretender tomar Q10 em doses elevadas, as doses devem ser fraccionadas.

Q10, vitamina B2 e magnésio é uma excelente associação

Será boa ideia fazer terapêutica combinada de Q10 e vitamina B2, que também é importante para as mitocôndrias e respectiva renovação energética. O magnésio também reforça a função mitocondrial, incluindo a sinalização do cálcio. Quando descontrolado, este processo pode provocar stress celular e inflamação. Grandes doses de magnésio (400-600 mg) podem igualmente aliviar as enxaquecas ao bloquear o receptor NDMA, impedindo assim as células nervosas de serem inundadas pelos iões cálcio.

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