Défice de selénio nas unhas da criança pode ter relação com o excesso de peso

Défice de selénio nas unhas da criança pode ter relação com o excesso de pesoEstudos anteriores constataram haver relação entre défice de selénio e excesso de peso, mas só um número reduzido de estudos investigaram esta relação em crianças. Daí que investigadores chineses quisessem examinar atentamente esta relação, e os níveis de selénio em amostras de unhas dão uma noção exacta da quantidade total de selénio no organismo. A carência de selénio é comum em muitas regiões do mundo, incluindo na China e na Europa.

O número crescente de crianças com excesso de peso em todo o mundo é uma das maiores ameaças para a saúde no século XXI. Aumenta o risco de diabetes tipo 2 e de uma série de doenças relacionadas com o estilo de vida desde muito cedo. Há muitos factores complexos que contribuem para o excesso de peso, como factores genéticos, alimentares, comportamentais e ambientais.
As pessoas acabam por ficar com excesso de peso devido ao facto de consumirem mais calorias, a partir do que comem e bebem, do que as calorias que queimam com a actividade física, e as calorias em excesso acumulam-se como gordura. Tratar o excesso de peso é uma questão de queimar calorias de maneira eficaz, para o que são precisos vitaminas e minerais, como o selénio, que intervêm em muitos processos enzimáticos.

Dados sobre o número crescente de crianças com excesso de peso ou obesas

  • À escala mundial, 41 milhões de crianças com menos de 5 anos têm excesso de peso
  • 340 milhões de crianças e jovens entre os 5 e os 19 anos têm excesso de peso ou são obesos
  • Na China, a percentagem de crianças com excesso de peso/obesas aumentou de 11,7% para 25,2%, entre 1991 e 2011
  • Logo a seguir aos E.U.A., a Europa tem o maior número de número de pessoas com excesso de peso
  • Nos últimos 30 anos, triplicou o número de crianças e jovens com excesso de peso na Dinamarca.

O excesso de peso provoca stress oxidativo no organismo, e vice-versa

O excesso de peso, normalmente, leva a excesso de gordura à volta do intestino. A gordura visceral, denominação dada a este tipo de gordura pouco saudável, produz excesso de moléculas inflamatórias e radicais livres. Normalmente, as defesas imunitárias controlam a inflamação com rapidez e eficácia, mas quando a pessoa tem excesso de peso, a grande concentração de gordura visceral transforma-se em inflamação crónica, que a pessoa não sente, mas que produz stress oxidativo no organismo. Esta situação pode descontrolar-se facilmente e aumentar o risco de insulinorresistência, mais aumento de peso, e síndrome metabólica, que é a fase inicial da diabetes tipo 2.
Os vários antioxidantes são as únicas defesas contra os radicais livres. Estudos laboratoriais apontam para o papel especialmente importante do selénio ao sustentar antioxidantes potentes e selenoproteínas activas.
Apenas alguns estudos investigaram a relação entre taxa de selénio e peso corporal na criança. Os cientistas avaliaram a taxa de selénio em crianças, através de análises à urina, mas estas dão apenas um quadro temporário. Pelo contrário as amostras de unhas mostram a taxa de selénio de uma pessoa durante os últimos 6-12 meses. Apesar de ser um método fácil e eficaz de comparar a taxa de selénio e o excesso de peso na criança, o estudo chinês é o primeiro a usá-lo.

As crianças com peso normal têm tendência para ter mais selénio nas unhas

No estudo chinês participaram 62 crianças com excesso de peso e 65 crianças com peso normal, todas elas com idades compreendidas entre os 7 e os 13 anos e a viver em Xangai. O excesso de peso foi classificado segundo uma escala especial para crianças, simplesmente porque o IMC normal aplica-se apenas a pessoas que atingiram pleno crescimento.
As unhas das mãos das crianças foram cortadas e guardadas em caixas de plástico até se analisar o teor de selénio. Os cientistas constataram que as unhas das crianças com peso normal apresentavam mais selénio comparativamente às das crianças com excesso de peso, ainda que a diferença não fosse estatisticamente significativa. Contudo, os investigadores afirmam que o teor de selénio nas unhas e o excesso de peso das crianças chinesas pode muito bem ser inversamente proporcional.

Estudos anteriores mostram relação entre taxa de selénio e peso

O estudo recente corrobora estudos anteriores, mas nem todos. Um estudo de crianças egípcias mostrou que as crianças com excesso de peso apresentavam concentrações de selénio inferiores às das que tinham peso normal. O mesmo se verificou em estudos da Polónia, de Espanha e dos E.U.A, em que os cientistas compararam crianças com excesso de peso com crianças com peso normal.

O papel do selénio no controlo do peso

O selénio sustenta entre 25 e 30 proteínas seleniodependentes (selenoproteínas) que funcionam como enzimas e antioxidantes. Todas as células do organismo dependem da presença destas selenoproteínas. A renovação energética nas células é regulada pela coenzima Q10 e não funciona devidamente sem selénio. As hormonas da tiróide funcionam ao levar o oxigénio para as células, e, para activar estas hormonas, o organismo precisa de um tipo de selenoproteínas denominadas deiodinases.

O selénio é um constituinte de diversos antioxidantes, nomeadamente GPX (glutationa peroxidase 1-6), que protege o organismo contra os radicais livres e o stress oxidativo. Além disso, o selénio reforça diversas proteínas que reparam a lesão celular provocada por stress oxidativo e outros irritantes. Por outras palavras, o selénio ajuda a reduzir vários dos mecanismos inflamatórios que têm efeito cumulativo no excesso de peso. É por esta via que o selénio diminui o risco de excesso de peso na criança.

Como se obtém selénio?

O selénio obtém-se principalmente no marisco, miúdos, ovos, lacticínios e castanha-do-pará. Contudo, um grande número de europeus não obtém selénio suficiente porque o solo tem falta de nutrientes e a alimentação mudou. Contudo, os suplementos de selénio podem compensar esta insuficiência. O ideal é tomar levedura de selénio orgânico com diversos compostos de selénio, que proporciona a mesma variedade natural que se obtém com uma alimentação equilibrada, com várias fontes de selénio.

Preste atenção a outros nutrientes e ao estilo de vida

Há também estudos que mostram que a falta de vitamina D, crómio, magnésio e cálcio pode aumentar o risco de excesso de peso e diabetes tipo 2, porque estes nutrientes intervêm na renovação orgânica de hidratos de carbono e gordura (metabolismo de macronutrientes). É fundamental que o consumo de cálcio e magnésio seja equilibrado. Demasiado cálcio em detrimento de magnésio tende a causar inflamação.
Muitas crianças podem reduzir o risco de excesso de peso, fazendo uma alimentação mais saudável, com mais alimentos integrais, fruta e legumes, e restringido a ingestão de açúcar e doces. Além disso, é essencial manter-se fisicamente activo e apanhar muito sol e ar puro.

Referências bibliográficas

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https://journals.lww.com/md-journal/Fulltext/2018/03020/Fingernail_selenium_levels_in_relation_to_the_risk.10.aspx

Fujita K et al. Systemic oxidative stress is associated with visceral fat accumulation and the metabolic syndrome. Circ. J 2016
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17062967

Yves Rayssiguier et al. Magnesium deficiency and metabolic syndrome: stress and inflammation may reflect calcium activation. John Libbey Eurotext 2010
http://www.jle.com/fr/revues/mrh/e-docs/magnesium_deficiency_and_metabolic_syndrome_stress_and_inflammation_may_reflect_calcium_activation_285055/article.phtml

Diabetikere mangler ofte D-vitamin. Diabetes.dk 2013
https://diabetes.dk/aktuelt/nyheder/nyhedsarkiv/2013/diabetikere-mangler-ofte-d-vitamin.aspx

https://faktalink.dk/titelliste/overvaegtige-boern-og-unge

Pernille Lund. Sådan får du styr på dit blodsukker og din vægt. Ny Videnskab 2013

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