O selénio protege os neurónios do cérebro

O selénio protege os neurónios do cérebroO selénio é um constituinte de, pelo menos, 25 proteínas essenciais (selenoproteínas), incluindo vários antioxidantes que protegem as células contra o stress oxidativo e doenças. Uma equipa de investigadores de Munique, na Alemanha, definiu os mecanismos que os antioxidantes que contêm selénio utilizam para proteger os neurónios do cérebro contra a morte celular. Os cientistas vêem no selénio toda uma série de novas potencialidades, pela sua capacidade de proteger contra perturbações neurológicas e cancro. Contudo, é problemático termos défice de selénio generalizado nesta região do mundo. Mesmo cumprindo as directivas alimentares oficiais, é muito difícil obter selénio suficiente para saturar todas as selenoproteínas.

O selénio foi descoberto, há mais de 200 anos, pelo cientista sueco Jacob Berzelius, que deu a este elemento químico o nome de Selene, a deusa grega da lua. Entre outras funções, o selénio é usado na indústria química. O selénio e os sais de selénio são tóxicos em grandes quantidades, e só há algumas décadas a ciência ficou a saber que muitos compostos de selénio orgânico são essenciais. Desempenham um papel importante na renovação energética, no metabolismo, nas defesas imunitárias, fertilidade e, não menos importante, como reforço de vários antioxidantes que protegem as células contra o stress oxidativo.
Quando o equilíbrio entre antioxidantes e radicais livres é perturbado, o organismo fica exposto a stress oxidativo. Os radicais livres são moléculas agressivas que desencadeiam perigosas reacções em cadeia intracelulares e intercelulares. Os radicais livres são um subproduto da respiração, e a quantidade de radicais livres aumenta extraordinariamente em resposta a stress, processos de envelhecimento, inflamação, intoxicação, tabagismo e radiação. Na verdade, os radicais livres e o stress oxidativo estão implicados na maioria doenças e da morte celular.

O desvendar de um mistério antigo

Uma equipa de cientistas do Institute Developmental Genetics (IDG), no Helmholtz Zentrum de Munique, desvendou um mistério antigo, o que ajuda a explicar por que razão os antioxidantes que contêm selénio são tão essenciais.
Em circunstâncias normais, é suposto as células deterioradas ou afectadas executarem a morte celular programada, ou apoptose, deixando assim espaço livre para células novas. Escusado será dizer que as células devem ser protegidas o mais possível contra stress oxidativo, desgaste e doença, pelo que a sua autodestruição nunca deve ficar descontrolada.
Durante anos, os investigadores estudaram o processo de um tipo, recentemente descoberto, de morte celular programada, chamada ferroptose porque envolve ferro. Acontece que a enzima contendo selénio GPX4 (glutationa peroxidase 4), ela própria um antioxidante potente, desempenha um papel fundamental.
Para compreender melhor o processo, os investigadores estudaram ratinhos cuja GPX4 tinha sido manipulada, ao substituir-se o teor de selénio por enxofre, com o qual o selénio tem algumas semelhanças. Contudo, o enxofre não é um antioxidante.
Os investigadores constataram que os ratinhos em que o selénio da GPX4 tinha sido substituído por enxofre não conseguiram sobreviver mais do que três semanas, tendo morrido de complicações neurológicas.

Quando há falta de antioxidantes da GPX4 contendo selénio, perdem-se neurónios especiais

Os cientistas identificaram a ausência de certos neurónios especiais no cérebro dos ratinhos que tinham falta de antioxidantes da GPX4 contendo selénio. Estudos posteriores mostraram que, nos ratinhos em que o selénio tinha sido substituído por enxofre nos antioxidantes da GPX4, estes neurónios perderam-se no cérebro à medida que se desenvolveram após o nascimento.
Os investigadores também conseguiram demonstrar que a ferroptose é desencadeada por stress oxidativo, que também pode ser consequência de elevada actividade metabólica e elevada actividade nos neurónios.
Pela primeira vez, demonstrou-se que o selénio desempenha um papel essencial no desenvolvimento e na manutenção de um tipo especial de neurónios após o nascimento. Os antioxidantes da GPX4 contendo selénio protegem estes neurónios contra o stress oxidativo e a morte celular causados pela ferroptose.
Em estudos futuros, Marcus Conrad e a sua equipa de investigadores, de Munique, tencionam fazer uma análise mais profunda de como se desencadeia a ferroptose nas células e em que circunstâncias. O objectivo destes estudos é prevenir ou melhorar o cancro e doenças neurodegenerativas, que são, actualmente, difíceis de tratar. Tudo indica que o selénio tem um papel determinante, desde que em quantidade suficiente para saturar a GPX4 e outras selenoproteínas.

Dados sobre selénio, GPX e morte celular

  • Mais de 25 proteínas (incluindo as GPX 1-6) contêm selénio
  • A GPX4 funciona como antioxidante e protege os neurónios contra o stress oxidativo
  • A GPX4 neutraliza a ferroptose nos neurónios do cérebro
  • Ferroptose é um tipo de morte celular programada (apoptose)
  • Ferroptose é formada pelas palavras ferro (do latim ferru) e ptose (do grego ptosis “queda”)

É difícil obter selénio em quantidade suficiente, mesmo fazendo uma alimentação saudável

O selénio encontra-se sobretudo no peixe, marisco, vísceras, ovos, lacticínios e castanha-do-pará (a fonte mais rica), mas as colheitas na Europa, em geral, são pobres em selénio. Não obstante o marisco ser considerado uma fonte rica de selénio, segundo um estudo dinamarquês, não se obtém o nutriente em quantidade suficiente, mesmo consumindo peixe e marisco cinco dias por semana.

100 microgramas diários de selénio podem saturar uma selenoproteína fundamental

A selenoproteína P é uma proteína fundamental que contém selénio, e é usada como um marcador da taxa sanguínea de selénio. Os estudos mostram que o aporte recomendado de 50-70 microgramas por dia não é suficiente para saturar a selenoproteína P. São precisos, pelo menos, 100 microgramas diários de selénio.

Referências bibliográficas

HELMHOLTZ ZENTRUM MÜNCHEN – GERMAN RESEARCH FOR ENVIROMENTAL HEALTH
https://www.eurekalert.org/pub_releases/2017-12/hzm--spa122917.php

https://www.sciencedaily.com/releases/2017/12/171229095132.htm

https://phys.org/news/2018-01-selenium-specific-interneurons-brain.html

https://phys.org/news/2018-01-selenium-specific-interneurons-brain.html

Lutz Shomburg. Dietary Selenium and Human Health. Nutrients 2017
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5295066/

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