As alterações climáticas provocam carência de selénio que ameaça a saúde pública

As alterações climáticas provocam carência de selénio que ameaça a saúde públicaAs alterações climáticas e o esgotamento do solo aumentam o risco de carência de selénio, especialmente na Europa, como demonstraram cientistas suíços. O selénio é um nutriente essencial, e os estudos existentes mostram, claramente, que o baixo aporte de selénio aumenta o risco de cancro, perturbações metabólicas, défice imunitário, má qualidade espermática e aterosclerose. Daí que a carência de selénio deva ser levada a sério e deva ser prevenida de qualquer forma. Tomar um suplemento de selénio de qualidade superior é uma boa forma de obter este nutriente em quantidade suficiente.

O teor de selénio nas colheitas depende dos níveis de selénio no solo onde são cultivadas. Os cientistas estimam que cerca de mil milhões de pessoas em todo o mundo têm falta de selénio, e tudo indica que o problema virá mesmo a piorar. Os pressupostos dos cientistas do Swiss Federal Institute of Aquatic Science and Technology baseiam-se numa série de análises das condições climáticas e do solo, que os levam a afirmar que diversos tipos de alterações podem reduzir ainda mais os níveis de selénio no solo no futuro.

O selénio esgota-se no solo, e o problema é mais grave na Europa

Entre 1994 e 2016, os cientistas analisaram 33.241 amostras de solo de cultivo em todo o mundo para medir as concentrações de selénio. Mediante a utilização de 26 variáveis ambientais diferentes, como lixiviação do solo e alteração dos valores de pH, os investigadores conseguiram definir como o teor de selénio natural no solo irá alterar-se desde a actualidade até ao final deste século.
0s cálculos mostram que os métodos agrícolas e as alterações climáticas irão provocar ainda maior perda de selénio em 66% dos terrenos de cultivo, e o problema irá afectar especialmente o solo da Europa, Índia, China, América do Sul, África Austral, e das regiões do sudoeste dos Estados Unidos.

O selénio é removido do solo através de:

  • Colheitas
  • Pastagem
  • Lixiviação – especialmente resultante de chuva e escoamento de águas em grande quantidade
  • Chuva ácida – contém enxofre que pode transformar o selénio em gases voláteis
  • Compostos sulfurosos antifúngicos, homologados, também podem substituir o selénio

Os cientistas alertam para a carência de selénio

Segundo os cientistas suíços, os seus cálculos relativos aos níveis de selénio reduzidos no solo podem servir de sobreaviso a organizações agrícolas e humanitárias. Todo o problema da carência de selénio já é do conhecimento geral. A bioquímica britânica, Margaret Rayman, já várias vezes abordou o tema e manifestou preocupação pelo baixo aporte de selénio e o aumento da prevalência de cancro, infertilidade, reumatismo, e outras doenças.

Adicionar selénio aos fertilizantes

De uma maneira geral, o solo europeu é pobre em selénio, especialmente na Finlândia, onde amostras de sangue mostraram que, há mais de 40 anos, a população apresentava taxa de selénio extremamente baixa. Como a taxa de doença cardiovascular também era elevada, o governo finlandês decidiu adicionar selénio aos fertilizantes agrícolas na década de 1980. Em consequência do enriquecimento com selénio obrigatório, os níveis de selénio nas colheitas subiram rapidamente e a taxa de selénio entre os finlandeses também aumentou.
Contudo, adicionar selénio aos fertilizantes tem desvantagens. As plantas absorvem apenas uma determinada quantidade de selénio e, como o selénio é escasso, é fundamental evitar o desperdício. Os cientistas acreditam que as reservas mundiais de selénio podem esgotar-se nos próximos 40 anos. Será, por isso, prudente equacionar outras estratégias de melhor utilização das reservas limitadas de selénio.

Os animais das explorações agrícolas recebem suplementos de selénio, e o ser humano faz parte da mesma cadeia alimentar

Desde 1975, por norma, os agricultores dão selénio suplementar aos animais para prevenir várias doenças por carência, como baixa fertilidade, inflamação articular e problemas cardiovasculares. Embora as pessoas façam parte da mesma cadeia alimentar, há muitas que ainda não conseguem obter quantidade suficiente deste nutriente essencial.

Suplementos alimentares – uma solução melhor e mais rápida

Cerca de 20% da população dinamarquesa obtêm menos selénio do que o recomendado. O aporte diário recomendado é 55 microgramas. Noutros países, como Estados Unidos e Japão, o aporte de selénio natural obtido na alimentação é de quase 200 microgramas, devido ao maior teor de selénio do solo.
Em países como a Dinamarca, onde o solo é muito pobre em selénio, os suplementos de selénio podem compensar o baixo aporte deste nutriente. A levedura de selénio orgânico, que contém vários compostos de selénio orgânico, fornece a mesma variedade natural que se obtém com uma alimentação equilibrada, com muitas fontes de selénio.

Ainda que façamos uma alimentação equilibrada, pode ser difícil obter selénio em quantidade suficiente

O selénio está presente essencialmente no peixe, marisco, vísceras, ovos, lacticínios e castanha-do-brasil (a melhor fonte de selénio). Surpreendentemente, um estudo dinamarquês demonstrou que, mesmo comendo peixe e marisco cinco dias por semana, não se consegue obter selénio em quantidade suficiente

100 microgramas diários de selénio saturam uma selenoproteína importante

A selenoproteína P (ou SelP) é uma proteína que contém selénio, que é usada como marcador da taxa sanguínea de selénio. Os estudos mostram que são necessários, pelo menos, 100 microgramas de selénio todos os dias para saturar esta selenoproteína importante.

Porque é que o selénio é essencial?

Para perceber a importância do selénio na saúde humana, há que fazer uma análise a partir do nível celular. O selénio faz parte de mais de 25 selenoproteínas (enzimas que contêm selénio). Algumas são importantes para o metabolismo energético, ao passo que outras ajudam a degradar os compostos residuais, protegem as células contra danos oxidativos, e reforçam o sistema imunitário. As selenoproteínas intervêm num grande número de processos vitais que mantêm as nossas células e tecidos sãos e funcionais.
Devido ao papel omnipotente do selénio na saúde humana, há que levar os cientistas a sério quando alertam para carência de selénio no futuro.

Referências

Jones GD et al. Selenium deficiency risk predicted to increase under future climate change. Proceedings of the National Academy of Sciences 2017

Editorial team. Selenium deficiency promoted by climate change. ETHzüric 2017

https://www.ethz.ch/en/news-and-events/eth-news/news/2017/02/selenium-deficiency-promoted-by-climate-change.html

Margaret Rayman: Dietary selenium: time to act. British Medical Journal. 1997.

Lutz Shomburg. Dietary Selenium and Human Health. Nutrients 2017

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