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Quão "biodisponível" é o seu Q10?

Quão "biodisponível" é o seu Q10?Muito bem! Em primeiro lugar, há que definir "biodisponibilidade". Ora, a biodisponibilidade diz-nos que quantidade de um fármaco ou de uma substância é realmente absorvida no intestino delgado, e daí passa para o sangue e, depois, para os tecidos. Por outras palavras, a biodisponibilidade dá-nos uma ideia de quanto da substância, pela qual pagámos bom dinheiro, é absorvido e está disponível para ter um efeito benéfico no nosso organismo.

Q10 difícil de absorver

Q10 não é uma substância de fácil absorção. Tem um peso molecular elevado. É lipofílica. É muito difícil dissolver Q10 na água. Ao longo dos anos, tornou-se necessário fazer muitas tentativas para aumentar a biodisponibilidade dos preparados de Q10.

Foram tentadas várias técnicas como, por exemplo:

  • redução do tamanho
  • dispersão sólida
  • ionização
  • utilização de lipossomas e nanopartículas e nano-emulsões e outros sistemas emulsionadores como veículos de Q10.

Q10 em pó e hidrossoluções

Basicamente, devem soar sinais de alerta sempre que vejamos um produto com Q10 na forma de pó. Na verdade, devemos ter dúvidas em relação à biodisponibilidade de produtos com Q10 hidrossolúveis. Pode haver um produto hidrossolúvel que resulte, mas antes de o adquirir, há que ver alguma documentação sobre a biodisponibilidade.

Efeito documentado do Q10

Por falar em documentação, o que é que se sabe? Sabe-se que a formulação de Q10 com resultados estatisticamente significativos, usado no ensaio clínico internacional de insuficiência cardíaca crónica, Q-Symbio, e a formulação de Q10 usado em idosos saudáveis, no estudo KiSel10, no centro da Suécia, eram a mesma.

O Q10 desta formulação tinha sido submetida a um pré-tratamento de aquecimento especial e, em seguida, dissolvida em óleo vegetal. A formulação patenteada garante que os cristais orgânicos de Q10 se dissolvem em moléculas simples para absorção à temperatura corporal, no intestino delgado.

Eficácia do Q10 demonstrada em ensaios clínicos

A razão pela qual temos a certeza que esta formulação de Q10, patenteada, vai ter um elevado grau de absorção é o facto de, em estudos controlados com placebo, duplamente cegos e aleatórios, ter resultados que SÃO estatisticamente muito superiores aos resultados no grupo de controlo.

Estes resultados não seriam obtidos se o Q10 não tivesse boa absorção e biodisponibilidade no tecido muscular cardíaco.

Q10 com Biodisponibilidade de 83%

Os investigadores do Departamento de Ciências Farmacêuticas da Universidade Jamia Hamdard, Nova Deli, Índia, referem, na tabela 2 da sua revisão de 2010 das formulações de Q10 patenteadas, que o preparado usado nos ensaios clínicos Q-Symbio e KiSel-10 tem uma biodisponibilidade de 83%.

Além disso, em 2005, Singh e uma equipa de investigadores apresentaram as conclusões de um ensaio clínico, controlado com placebo, duplamente cego e aleatório, em que 60 homens saudáveis, com idades entre 18 e 55 anos, receberam três administrações de cápsulas de Q10 em óleo ou placebo. No ensaio clínico, foram colhidas amostras de sangue no início e após 20 dias de ensaio.

Doses diferentes = absorções diferentes

Comparativamente ao grupo de controlo, os três grupos de intervenção de Q10 revelaram aumentos dos níveis séricos de Q10 de três a dez vezes os níveis do grupo de controlo.

Das três intervenções, a intervenção bipartida, utilizando 100 mg de Q10 ao pequeno-almoço e outros 100 mg de Q10 ao jantar, foi a que mais fez subir os níveis séricos de Q10.

Ora, a administração de duas doses de 100 mg de Q10 de uma só vez, durante o dia, originou um nível sérico de Q10 superior ao originado por uma dose única de 100 mg de Q10 por dia, embora a posologia de administração de manhã e á noite fosse manifestamente a mais eficaz.

Além disso, em 2003, num ensaio, controlado com placebo, duplamente cego e aleatório, com a duração de dois meses, em que participaram 99 voluntários do sexo masculino saudáveis, os investigadores constataram que uma intervenção com 30 mg ou 100 mg da mesma formulação levava a aumentos medianos nas concentrações séricas de Q10 de 0,55 mg/l e 1,36 mg/l, respectivamente, o que era sobreponível a uma descida mediana de 0,23 mg/l da Q10 sérica no grupo de controlo.

A melhoria da Q10 sérica nos grupos de intervenção foi estatisticamente significativa; além disso, o aumento no grupo de intervenção de 100 mg foi substancialmente superior à melhoria no grupo de intervenção de 30 mg.

Curiosamente, os aumentos na concentração sérica de Q10, nos grupos de intervenção de Q10, não dependeram dos valores de Q10 sérica de referência, da idade ou do peso corporal dos participantes. Os aumentos tiveram de ser resultantes da absorção do Q10 na formulação patenteada.

Fontes

Mortensen SA et al. The Effect of Coenzyme Q10 on Morbidity and Mortality in Chronic Heart Failure: Results From Q-SYMBIO: A Randomized Double-Blind Trial. Journal of the American College of Cardiology: Heart Failure. 2014;():. doi:10.1016/j.jchf.2014.06.008.

Alehagen, U., et al. (2013). Cardiovascular mortality and N-terminal-proBNP reduced after combined selenium and coenzyme Q10 supplementation: a 5-year prospective randomized double-blind placebo-controlled trial among elderly Swedish citizens. International Journal of Cardiology, 167(5), 1860-1866.

Beg, S. et al. Bioavailability Enhancement of Coenzyme Q10: An Extensive Review of Patents. Recent Patents on Drug Delivery & Formulation, 2010, 4, 245-257.

Singh R. et al. Effect on Absorption and Oxidative Stress of Different Oral Coenzyme Q10 Dosages and Intake Strategy in Healthy Men. Biofactors (Oxford, England). 2005;25(1-4):219-224.

Zita C, Overvad K, Mortensen S, Sindberg C, Moesgaard S, Hunter D. Serum coenzyme Q10 concentrations in healthy men supplemented with 30 mg or 100 mg coenzyme Q10 for two months in a randomised controlled study. Biofactors (Oxford, England). 2003;18(1-4):185-193.